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Pensava que ia ser mais complicado, mas está bastante bem explicado. Estou a preenchê-lo aos poucos e há coisas que nem me tinham passado pela cabeça.
Kit Família
Heranças e trâmites
Por Marta Gonçalves | 14 de fevereiro de 2026 | Leitura: 4 minutos
Em quase todas as casas há uma pessoa que trata de tudo. Sabe quando vence o seguro, em que conta cai cada fatura e em que gaveta ficou a escritura da casa. Os outros vivem descansados precisamente porque ela existe.
Essa tranquilidade tem um ponto fraco. No dia em que essa pessoa deixa de poder tratar disso —um internamento longo, um acidente, ou quando já não estiver—, quem fica no seu lugar não herda uma ordem: herda um puzzle sem a tampa da caixa.
Estas são as cinco peças mais difíceis de encaixar.
Experimente enumerar de memória. As contas do dia a dia aparecem logo. O difícil é o resto: o seguro de vida associado ao crédito à habitação, o fundo de pensões de um emprego antigo, a conta que não movimenta há anos.
Se lhe escapam a si, imagine a quem nem sabe que as deve procurar. Acontece tantas vezes que existem mecanismos próprios: a ASF mantém um registo de seguros de vida com beneficiário em caso de morte, e o Banco de Portugal indica aos herdeiros em que bancos havia contas. E a lei prevê que depósitos sem movimentos durante muitos anos possam ser considerados abandonados e passar para o Estado.
Fonte: ASF; Banco de Portugal, Base de Dados de Contas; Decreto-Lei n.º 187/70.
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Ao começar a preencher o Legavia, lembrei-me de uma conta que não usava há anos. Os meus filhos nem sabiam que existia. Isso fez-me pensar em quantas coisas dou como sabidas e nunca lhes contei. Agora tenho tudo apontado e eles sabem onde encontrar a informação.
É fácil pensar que, na altura certa, alguém terá tudo reunido: o notário, o banco, «as Finanças». Não é assim.
A Conservatória dos Registos Centrais pode dizer se fez testamento e em que cartório, mas não o que diz nem onde guarda a sua cópia. Aí acaba o que está centralizado. Em que bancos tem conta, que débitos diretos saem sozinhos, o que deve e o que lhe devem: tudo isso pergunta-se entidade a entidade, e só se alguém se lembrar de perguntar.
Os seus filhos sabem onde mora e, provavelmente, qual é o seu banco de sempre. O resto sabe-o você.
Fonte: IRN, Conservatória dos Registos Centrais (certidão de testamento).
O luto pede tempo e os trâmites não o dão. Alguns têm um prazo fixado por lei, e essa data não muda porque a família ainda anda à procura de uma apólice. Cada semana perdida a procurar documentos é uma semana a menos para decidir com calma.
Estes são os principais. Uns são prazos legais, outros simples bons hábitos: convém distingui-los.
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Quando o meu pai faleceu, perdemos imenso tempo à procura dos documentos que nos iam pedindo. Por isso decidi preparar os meus com o Legavia. Fui-o preenchendo aos poucos e os meus filhos já sabem onde o encontrar. Dá-me tranquilidade deixar-lhes essa parte mais fácil.
As escrituras no móvel da sala. As apólices numa pasta. As faturas no e-mail, o banco numa aplicação e os contratos num PDF que chegou há anos. Para si é um sistema. Para outra pessoa são vinte sítios, e metade não se vê.
A lei portuguesa permite que os direitos sobre os dados pessoais de quem faleceu sejam exercidos por quem essa pessoa designou ou, na falta, pelos herdeiros, salvo se ela o tiver vedado. Mas esse direito serve de pouco se ninguém sabe que a conta existe.
Não é preciso juntar tudo no mesmo sítio. É preciso um índice: uma folha que diga o que existe e onde está.
Fonte: Lei n.º 58/2019, art. 17.º (dados pessoais de pessoas falecidas).
Os seus filhos não perguntam para não parecerem interesseiros. Você não puxa o assunto para não os preocupar. E assim passam os anos, com ambos convencidos de que há de chegar um momento melhor.
Por isso, para muitos é mais fácil escrever do que dizer. Não é preciso reunir ninguém nem falar de doenças ou de heranças: preenche-se uma ficha num domingo, outra na semana seguinte, e um dia basta dizer «se algum dia for preciso, está nesta pasta».
É a mesma conversa, mas já feita.
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Sempre que pensava em falar destas coisas com os meus filhos, deixava para outro dia. Começar a escrevê-lo foi-me mais fácil. Fui preenchendo o Legavia aos bocadinhos e, quando a minha filha veio almoçar, mostrei-lhe onde o guardava. A conversa que tanto me custava surgiu da forma mais natural.
Faça o teste
Responda «Sim» só se alguém em casa souber responder hoje, sem lhe perguntar.
Responda a todas para ver o resultado.
Falta só pôr tudo por escrito num único sítio, para não depender da memória de ninguém.
A sua família saberia por onde começar, mas teria de reconstruir várias coisas sozinha.
Não é estranho: acontece quando uma só pessoa trata dos papéis. Tem solução, e pode começar hoje.
O que marcar fica no seu dispositivo. Nada é guardado nem enviado.

Da Legavia
A ficha deste artigo é uma das 18 a 38 páginas do kit, conforme o que escolher.
30 dias para experimentar

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Pensava que ia ser mais complicado, mas está bastante bem explicado. Estou a preenchê-lo aos poucos e há coisas que nem me tinham passado pela cabeça.
Kit Família

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Eu já tinha testamento, mas os meus filhos não sabiam onde eu guardava metade dos documentos. Veio mesmo a calhar para pôr um pouco de ordem nas coisas.
Kit Serenidade Total

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Não temos grandes propriedades, só o apartamento, as contas e um ou outro seguro. Mesmo assim, percebi que havia bastantes coisas que eu e o meu marido tínhamos de deixar apontadas.
Kit Serenidade Total

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Comprei-o com algumas dúvidas porque não me safo muito bem com o computador. A minha filha imprimiu-mo e agora tenho-o numa pasta. Muito mais prático para mim.
Kit Base

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Non abbiamo grandi proprietà, solo l'appartamento, i conti e qualche assicurazione. Eppure mi sono reso conto che c'erano parecchie cose che io e mia moglie dovevamo annotare.
Kit Serenidade Total